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Entrevista com o ledor Fernando Puccini
Autor: Lucas Borba
Data: 12/07/2018

Este mês, damos continuidade à série de entrevistas com os ledores da Fundação Dorina, cujas vozes você talvez já conheça muito bem. Depois da conversa com Sérgio Grell, nosso segundo convidado é Fernando Puccini, 56. Antes de chegar à Fundação Dorina, o paulista foi de gerente de restaurante a pesquisador, e essa é só uma parte da história que ele tem para contar. Confira!

Lucas Borba: Fernando, você lembra como foi sua primeira experiência como leitor?

Fernando Puccini: Lembro que ainda não era nem alfabetizado e ficava tentando entender o que havia escrito nos livros. Quando aqueles símbolos começaram a fazer sentido, um mundo novo se abriu pra mim. A obra do Monteiro Lobato me marcou muito na infância.

LB: Essa paixão pelos livros se manteve ao longo dos anos?

FP: Sim, tanto que o primeiro curso de graduação que fiz, de Ciências Sociais, exigiu muita leitura e reflexão, mas escolhi essa área justamente por gostar de ler e de me manter informado. Nessa época, aliás, eu estudava durante o dia e trabalhava como gerente de restaurante à noite e foi no emprego que conheci minha esposa.

LB: É mesmo? E que rumo a sua vida tomou dali por diante?

FP: Saí do restaurante e ela e eu começamos a trabalhar com pesquisa de mercado. Ficamos nisso por uns 10 anos e foi graças à essa atividade que conheci a Fundação Dorina. Uma empresa do segmento tecnológico da cidade de Campinas queria desenvolver facilitadores para pessoas com deficiência e nos contratou para uma pesquisa sobre as necessidades desse público. Por isso, minha esposa e eu começamos a visitar várias associações, entre elas a Fundação Dorina. Depois disso, o tempo foi passando. Em meados de 2003, comecei a cursar jornalismo e me formei em 2006. Por volta de 2008, um locutor que trabalhava como ledor na Fundação Dorina, o Marcelo Sanches, disse que estavam precisando de gente no estúdio. Foi assim que comecei a trabalhar na Fundação e estou nisso há 10 anos.

LB: Como tem sido essa experiência?

FP: Fantástica, mesmo que a gente nem sempre leia aquilo de que gosta. Como a minha voz é mais grave, leio muitos livros policiais e até de terror – nunca me deram um livro infantil, por exemplo. Quando saio de casa digo para minha mulher que estou indo me divertir, porque o ambiente de trabalho é muito agradável. Meus colegas e eu nos damos tão bem que, às vezes, nos reunimos até fora do expediente – como no último jogo do Brasil.

LB: Muito bem, Fernando. E, por fim, a pergunta que não quer calar. De todos os livros que você já gravou, existe algum que você destacaria?

FP: Sim, tem um livro que eu sempre recomendo quando me fazem essa pergunta. É do Italo Calvino, um escritor italiano. O livro se chama: “Se um viajante numa noite de inverno...”. A leitura tem uma proposta diferente do usual, porque conta a história de um homem que compra um livro e, paralelamente, a história do livro que ele está lendo.

Lucas Borba é jornalista e colaborador da Fundação Dorina Nowill para Cegos. Autor do romance “O pássaro Refletól”, é o criador, produtor e editor do Canal Câmera Cega, voltado à cultura pop – com ênfase no audiovisual – e ao ativismo pela acessibilidade comunicacional destinada a esse universo.

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